Análise combinatória: acessórios

Apesar de não ter me desfeito imediatamente da maioria das coisas que coloquei na “pilha do não” (por medo de ter que andar pelada), eu tenho realmente tentado só usar a parte do armário que eu escolhi pra ficar. Estou conseguindo, mas tem sido bem desafiador pensar em combinações diferentes pra usar uma quantidade limitada de roupas sem me repetir toda hora. E os acessórios, que eu sempre negligenciei, estão finalmente entrando pra jogo.

Como eu já tinha falado, a ideia de pensar em acessórios por coleção e não individualmente me ajudou muito. Assim também fica bem mais fácil de combinar bolsa com sapato com cinto com pulseira com brinco… Analisando o que eu mantive dos meus acessórios, isto foi o que descobri:

Botas

  • Eu adoro botas, em qualquer clima, pra qualquer ocasião. Só tenho essas três – quero mais – mas gosto de modelos clássicos, que passam longe de tendencinha momentânea. Por causa disso, invisto e só compro botas de qualidade. E por isso só tenho três rs.

Óculos

  • Também sou bem chegada em óculos diferentes e há tempos ando sentindo vontade de comprar vários modelos novos. Acontece que óculos de qualidade costumam ser caros e realmente faz diferença ter uma lente boa. Esse de coração, por exemplo, é bem vagabundo e já não consigo enxergar de tão turva que está a lente. Acabo usando o aviador 99% do tempo, até porque é o que mais combina com meu rosto. Eu nunca carrego caixa de óculos comigo e acabo sempre apoiando na cabeça, então armações coloridas dão uma iluminada a mais.

Bolsas

  • Meu tipo de bolsa favorito é assim, tipo clutch. De qualquer tamanho, pra qualquer ocasião, a qualquer hora do dia. Não uso muito no dia-a-dia por não ter modelos mais versáteis e que carreguem todas as minhas tralhas, mas sempre sinto falta. Também estou precisando de umas mais coloridas, né? Dessas da foto, só a azul não foi herdada das minhas avós.

Saltos

  • Sou absolutamente tarada por saltos (cariocapaulista) e foi o que mais me doeu desfazer nessa limpeza. Ninguém pode dizer que meus saltos ficam encostados – eu uso bastante mesmo, mas só à noite, porque né, moro no Rio e não consigo imaginar uma cidade que combine menos com saltos do que essa. Dou preferência pra saltos agulha e não tenho nenhum menor do que 10cm. Não, eu não sinto dor – meu pé já morreu e esqueceu de cair.

Cabelo

  • Essa foto está feia e vazia, mas é porque eu só tenho isso de coisas pra colocar no cabelo. Sempre quis ser dessas meninas cheias de manha pra fazer penteados e mudar o rosto inteiro com um grampinho, mas em vez disso estou sempre descabelada e de cabelo molhado, o que impede tentativas de penteado. Mas eu gosto de chapéu e touquinha e futuramente acho que vou comprar mais, além de acostumar a usar lenços e bandanas. Os palitos são meu jeito favorito de prender o cabelo, mas como ele anda muito curto estão encostados.

Spikes

  • Tenho muita coisa de spikes, que não me surpreende. Acho que combinam muito comigo, especialmente os sapatos. Também combinam bastante entre si, não? Também tenho muita coisa de cruz e correntes.

Étnicos

  • Consigo identificar uma pegada étnica/folk/riponga em quase todos os meus acessórios, sobretudo pulseiras. Talvez seja o jeito que eu uso mais do que a peça por si só, mas definitivamente no último ano tenho visto meu estilo cair pra um lado cheio de tons terrosos e referências étnicas.

Rejeitados

  • Por último, essas são algumas das peças que eu não sei se combinam tanto comigo mas resolvi guardar pra ver se consigo incorporar ao meu estilo. A bolsa foi presente e acho linda, mas é bem fluorescente e como ficou claro antes eu não sou muito chegada em tantas cores. O tênis eu acho que escolhi a cor errada, usaria bem mais se fosse azul ou uma cor escura (possível DIY a caminho). As pulseiras eu adoro, especialmente todas juntas, mas me sinto meio fantasiada quando tento usar. Colares eu nunca uso, nem sei por que tenho. Esse aí nunca saiu de casa, apesar de achá-lo lindo. E o lenço eu também adoro, mas não sei usar lenços sem me sentir a minha avó (de quem eu herdei esse daí).

Eu definitivamente preciso de acessórios básicos antes de mais nada (como uma bolsa preta grande de couro). De resto, acho que a grande coisa é treinar maneiras de usar, especialmente os que requerem alguma habilidade como acessórios de cabelo. Sapatos vão ser sempre a minha tara, então por um tempo acho que vou focar em bolsas, porque achei minha coleção desfalcada. Mas de modo geral acho que estou ok de acessórios, então vou focar em refazer a base do meu armário mesmo.

E você? Qual o seu tipo de acessório favorito? Você consegue usar tudo que você tem pra justificar ter tantos acessórios?

Análise combinatória: roupas

Agora que deixei só o que realmente gosto no meu armário, o próximo passo é tentar analisar o que ficou e entender o que isso diz sobre o meu estilo. Fotografei cada peça e na hora que fui olhar o álbum algumas coisas ficaram óbvias logo de cara, como o fato de que eu só uso duas cores de roupa fora o preto e o branco.

Comecei a agrupar as peças pelo que elas têm em comum pra tentar tirar conclusões. Ainda estou me ajeitando com a logística de fotografar essas coisas, então não reparem a tosqueira; espero em breve estar colocando fotos muito melhores. Estão pequenininhas mas se clicar dá pra ver um zoom.

Todo o meu armário por ordem de cor!

  • Por cor: Não me surpreende que eu tenha bastante coisa azul cobalto no meu armário, já que é minha cor favorita. Mas me assustou a falta de cor. De tudo que eu selecionei por realmente gostar e achar que faz o meu estilo, 50% é preto, branco ou preto e branco. Fora duas peças de uns verdes duvidosos e um casaco amarelo, as únicas cores que tenho são azul e vermelho. Mais assustador que isso é que se repetem três tipos de estampa: listras, bolinhas e xadrez, com exceção pras localizadas que são quase todas algum texto. Não sei se acho essa simplicidade ótima ou absurda.
  • Por marca: Então, eu detesto fazer compras. Por mim só comprava online, detesto shopping, loja, experimentar roupa, ficar olhando vitrine, acho tudo um saco. Por isso eu peguei um certo hábito de só fazer compras quando eu preciso de algo específico ou em lojas que não têm vendedor e posso ver tudo com calma. A grana curta também ajuda nesse aspecto e mais de 50% das minhas roupas são de lojas de departamento (Zara, C&A, Renner, Riachuelo, Forever 21, H&M…). Pode ser ótimo pro bolso, mas acho que ando perdendo oportunidades com essa preguiça. E também só tem 6 peças que eu costurei, que é mais evidente ainda do quanto eu preciso tomar vergonha na cara.
  • Por ocasião: Eu sou carioca, dura e sem grandes finesses, o que quer dizer que meu verão dura 9 meses e o auge da minha vida social é tomar uma cerveja no boteco de chinelo. Por isso é incompreensível que 1/4 das minhas roupas sejam casacos ou vestidos de noite. Acho que talvez seja porque eu me desfiz de tanta coisa que sobrou muito casaco pra pouca roupa. De um jeito ou de outro quer dizer que estou comprando bem errado, né?

Todo o meu armário por ordem de uso!

  • Por “favoritismo”: Não é que eu esteja escolhendo minhas roupas favoritas, nem saberia fazer isso. Mas é que acabo dando preferência a algumas, aquelas que não preciso pensar muito, que é só pegar e sair. O fato é que tem algumas peças que nunca usei nessa pilha, o que acho muito errado. Algumas eu não uso por esquecer que existem e outras por não querer pensar na hora de me vestir e ir direto no óbvio. É bom ter essa referência pra começar a prestar mais atenção nas roupas negligenciadas.

Enfim, o que isso diz sobre meu estilo é que eu realmente não tenho a menor ideia do que estou fazendo nesse departamento né? Estou presa no óbvio, em parte por preguiça e desorganização. Mas dá pra ver alguma consistência (por exemplo, gosto de camisas de tecido, quase nada é de malha) e separar quais os bons hábitos e o que deve mudar.

Começando do (quase) zero: acessórios

Eu leio muitos blogs de moda e sempre vejo as meninas falando que amam acessórios e gostam de usá-los pra transformar uma roupa. Comigo acho que rola o contrário: por mais que eu adore um bom par de óculos escuros e nunca saia de casa sem brinco, sou bem ruim em combinar acessórios, tenho um monte de manias como não usar anéis e pulseiras na mesma mão e, com exceção de sapatos mais mirabolantes, completamente ignoro a capacidade de um acessório de ser o ponto de foco de um outfit.

Mas aí dificulta muito né? Então estou na missão de mudar isso. No fim de semana passado fiz aquela limpa nos acessórios pra tentar deixar um respiro e entender melhor a relação deles com o meu estilo e as minhas roupas. Pra minha surpresa, foi bem mais difícil do que limpar o armário. Acho que dependendo da maneira como você escolhe usar, qualquer acessório pode se encaixar em qualquer estilo, por isso não consegui usar esse critério pra separar. A maioria dos acessórios que tenho também é bijouteria, comprados no Saara ou no eBay, então não deu pra separar muito por qualidade ou durabilidade.

E aí tem o problema dos sapatos… Minha única tara de consumo são sapatos. A única coisa que faz meu coração bater e minha razão fugir. A única coleção que acho que nunca vou completar. E o tipo de acessório que considero eterno, que nem jóia. Sempre achei que um sapato bem exótico e colorido era mais neutro do que uma camiseta branca; que são acessórios que carregam tanta personalidade que sempre se encaixam em qualquer outfit ou ocasião. Por causa disso eles são menos “perecíveis” do que outros acessórios ou roupas e muito mais difíceis de substituir – ou seja, foi um drama separá-los.

De qualquer forma, no fim separei mais ou menos a metade dos meus acessórios pra pilha do “não”, mas não consegui me desfazer de quase nada. Ficou assim:

Começando do (quase) zer: pilha do sim de acessórios

Começando do (quase) zero: pilha do não de acessórios

Até elástico de cabelo entrou na roda e em vez de me desfazer de tudo tentei analisar o que me levou a comprar essas coisas e como eu poderia substitui-las. Percebi muito a questão da idade: certas coisas já perderam a graça porque são meio adolescentes, acho que prefiro investir em clássicos de qualidade agora, acessórios que durem por mais do que um ano.

Acho que a maior diferença desse processo foi que com as roupas, eu sei que na pilha do “não” só tem coisas que eu de fato não quero, mas que tive que guardar por questões práticas e vou substituindo com o tempo. Com acessórios tem coisas que eu não dou bola agora mas que vou aprender a incorporar aos poucos ao meu estilo conforme consiga defini-lo melhor. Acho que vou aprender a fazer esses acessórios obedecerem ao meu estilo, sabe?

Enfim, não tirei grandes conclusões desse processo mas acho que ajuda muito tentar ver seus acessórios como uma coleção e não só individualmente, inclusive na hora de guardar. Apesar de ter me desfeito de muitas pulseiras, agora tenho a sensação de ter muito mais opções porque consigo enxergar todas elas combinando entre si. Talvez esse seja o maior trunfo dos acessórios – a combinação entre eles é multiplicadora.

Praticando o desapego

Não sei dizer se sou desapegada com roupas. Do que não gosto mais, me desfaço com facilidade, mas tenho peças de mais de dez anos que quero guardar pra sempre. Existem vários conselhos e regrinhas por aí pra determinar quando é a hora de desapegar das suas roupas, mas não concordo com a maioria, acho que cada um tem que fazer as suas regras.

Talvez a diferença principal entre o que leio por aí e o que acredito seja que eu não considero “necessidade” uma prioridade ao montar o armário. Claro, eu preciso de roupas pra não sair por aí pelada, mas eu tenho roupa porque eu gosto, porque me diverte, porque me expresso dessa forma. Nunca vou deixar de ter um sapato que mexe com o meu coração só porque eu não preciso dele. Também acho aquela coisa de “se você não usa há um ano, não vai mais usar” uma mentira. Eu tendo a colecionar roupas que acho especiais e não é todo dia que tenho ocasião pra usar, como vestidos mais elaborados e acessórios marcantes.

Por essas coisas os meus critérios pra desapegar das minhas roupas são bem particulares, e divido aqui pra quem estiver com dificuldades na hora de decidir:

Praticando o desapego

  • “Não cabe mais em mim, mas eu vou emagrecer”: Sou partidária de que as roupas devem caber na gente, não é a gente que deve caber nelas. Eu visto o mesmo manequim desde os 15 anos e tenho uma oscilação de peso bem leve, então quando uma roupa não está perfeita em mim ela está só um pouquinho apertada ou folgada. Já que comecei academia mês passado e sei que devo emagrecer, vou guardando pra ver se me cabem em breve. Agora, se como toda mulher já fez alguma vez na vida você veste 44, está feliz e mesmo assim fica se apegando a uma calça que você comprou no único mês da sua vida em que te coube uma 36, supera que nada de bom vai sair disso.
  • “Não gosto dessa peça, mas é útil para uma ocasião específica”: Eu ganhei de presente uma blusa comprada na gringa que não dava pra trocar. Eu odiei. Sou capaz de reconhecer que não é uma blusa feia (aliás, tem uma fila de amigas de olho nela), mas não tem nada a ver comigo e me sinto o horror quando visto. Acontece que ela é uma excelente blusa pra ocasiões mais formais como reunião com cliente e eu não tenho nada desse tipo no meu armário porque trabalho principalmente em casa e num mercado extremamente informal (sou designer). Acabo guardando porque ela já me salvou em mais de uma ocasião, mas assim que der vou substituir por uma blusa que cumpra a mesma função e que eu não odeie.
  • “Não gosto, mas foi presente”: Minha experiência é de que a pessoa nem lembra. Já me aconteceu, inclusive, de usar algo só porque ia encontrar a pessoa que me deu e ela perguntar onde eu comprei. Muitas vezes as pessoas compram presentes baseadas no que elas gostam, não no que tem a ver com você, especialmente se elas não te conhecem tão bem. Eu sou horrível com presentes e nunca ficaria chateada se alguém trocasse algo que eu dei. Aprecie o gesto e passe adiante.

Avós estilosas

  • “Não uso, mas era da minha avó”: Minhas duas avós eram super estilosas e eu herdei bastante coisa delas. Só que não faço muito o estilo “vintage” (nem o estilo “senhora de 80 anos”) e acabei ficando só com as bolsas e outros acessórios que gostava. Dá uma certa pena de se desfazer das coisas da sua avó, mas acho que só vale guardar se for uma peça muito especial, representativa de uma época ou do estilo dela, ou se você acha que não usa agora mas vai amar quando for mais velha. Ou ainda se for algo tão incrível que vale a pena guardar pra sua filha, se você acabar tendo uma. Das minhas avós, tudo que herdei e mantive eu ponho pra jogo e uso sempre.
  • “Acho essa peça linda, mas não tem nada a ver comigo”: Sempre enfrento esse dilema (que foi o principal motivo pra começar esse blog) mas não adianta sair de casa muito bem vestida, mas se sentindo fantasiada. Se você já experimentou com tudo que tem no armário, já transformou camisa em saia, já usou do avesso, cortou as mangas, tentou de tudo e mesmo assim se sente meio errada quando sai com ela, doe pra sua melhor amiga, pra sua irmã, pra sua prima. Assim você não fica tão chateada de desfazer de algo tão legal mas também não fica enchendo seu armário com algo que não te serve. O mesmo vale pra roupas que não te valorizam. Não adianta achar a roupa linda no cabide mas horrorosa no seu corpo.
  • “Não uso há dez anos, mas vai voltar à moda”: As coisas voltam sim à moda, cada vez mais rápido, mas elas SEMPRE voltam revisitadas. Por exemplo, eu tenho um monte de scarpins de bico fino de uns 10 anos atrás. Recentemente eles voltaram à moda, mas com o bico bem mais curto e discreto. Simplesmente não consigo mais usar aqueles bicões de matar barata na quina. Se for algo muito característico de uma modinha, é possível que não se traduza nunca mais. Se for algo incrível, com uma estampa maravilhosa e que dá pra fazer consertos e alterações, você deveria estar usando agora e não esperando a moda voltar. Afinal, estilo é atemporal e não regula com a semana de moda.
  • “Não uso há mais de um ano”: Como eu disse lá em cima, isso não quer dizer absolutamente nada. Pode ser que você não use porque faltou ocasião ou porque seu armário está tão zoneado que você esquece da existência dela. Pode ser um problema de rotatividade das suas roupas, da sua mania de usar sempre a mesma coisa. Se você ama, pode guardar. Agora, se você experimenta toda hora mas logo antes de sair acaba trocando, ou se você não tem expectativa de usar pelos próximos anos, é hora de desapegar.
  • “Gosto, mas não combina com nada que tenho”: Se você está num processo de reinvenção que nem eu, guarda. Daqui a pouco pode aparecer algo que combine. Ou você pode focar em encontrar coisas que combinem e trazer pro seu armário. Se você não acha que vai fazer nenhuma dessas coisas, essa peça tem que ir.
  • “Não tenho ocasião pra usar”: Como eu disse, gosto de colecionar roupas. Lembro de ter lido uma vez uma entrevista com a Gloria Kalil em que ela mostrava um sapato Dior que nunca tinha usado nem pretendia usar – era item de colecionador mesmo. Eu não faço isso porque além de não ser rica acho que moda é pra ser usada (e personalizada), mas entendo que o espírito é guardar objetos especiais, que têm significado. Se você tem essa relação com objetos e acha que isso vai te trazer alegria por um tempo considerável, vai guardando sem esquecer que existe. Experimenta, faz umas fotos, cria a ocasião pra usar. Se você não liga pra essas coisas, não fique esperando seu estilo de vida mudar e desapegue logo. Não seja a pessoa que se muda pra Sibéria e continua guardando o biquini fio-dental.

Jeans rasgado

  • “Adoro essa calça, é uma pena que já esteja tão rasgada que minha calcinha fica de fora”. Essa me toca aqui fundo no coração porque o jeans que mais amei em toda a minha vida eu comprei quando tinha 15 anos. Usei até ficar azul claro, até abrir buracos no joelho, até ficar toda remendada, até – literalmente – não dar mais pra usar porque não tinha mais bunda na calça, já tinha desintegrado. Sofrimento enorme me desfazer dela, mas não tem jeito: uma hora tudo tem que ir. Se suas roupas têm conserto, vá lá e conserte logo. Se já viraram trapo, só vai dar pra pano de chão mesmo.

Enfim, acho que no fundo a gente sabe o que realmente vale a pena, é só questão de aceitar se desapegar do resto. Se tem uma roupa que você veste de TPM, descabelada, com a cara oleosa e sem se depilar e ainda acha linda, é pra guardar pra sempre. E sobre quantas peças você deveria ter, acho que é do critério de cada um decidir quanto é necessário, quanto é legal de ter e quanto cabe no seu bolso/no seu armário/na sua vida. Não tenha medo de se desfazer do resto. Às vezes a gente romantiza uma roupa que se arrependeu de doar porque era tão bonitinha, mas na verdade ela já estava apertada ou a cor te deixava pálida. Se desfazendo do velho a gente abre espaço pra coisas novas e mais incríveis.

E você, tem mais dicas de como separar os desapegos do seu armário? Conta aí!

Começando do (quase) zero

Sabe aquela história de tentar solucionar um problemão aos poucos? Então, acho isso a maior furada. Acho que quando o problema já chegou num ponto meio fora de controle, é preciso ter um momento de ruptura e de certa forma tentar cortar o mal pela raiz. Talvez pareça radical, mas decidi tirar do meu armário tudo que não era perfeito.

Como começar do zero!

Eu não me considero muito consumista, mas nos últimos três ou quatro anos um pouco de falta de autoconhecimento, mudanças no estilo de vida e empolgação me fizeram comprar mais roupas do que em qualquer outro momento na minha vida. Só que acho que errei mais do que acertei e muitas das coisas no meu armário estavam me desanimando. Nunca achei que eu fosse passar por essa situação de me sentir sem roupa com o armário cheio ou de vestir as roupas que eu tenho e me sentir esquisita.

Tirei um fim de semana pra isso e comecei a separar pelas roupas que eu realmente amava, aquelas que eu salvaria num incêndio, aquelas que eu ainda escolheria se só pudesse comprar uma peça de roupa pro resto da vida. Deve ter dado uns 10% do meu armário, o que considero um absurdo. Depois separei as que odeio, aquelas que toda vez que coloco me sinto estranha e nem sei direito por que ainda guardo. Daí sobrou todo o meio e eu fui separando por vários critérios. Algumas perguntas a fazer:

  • Quais peças me valorizam?
  • Quais peças são a minha cara e as pessoas me reconhecem por isso?
  • Se eu fosse me mudar de país, de profissão, de vida, me reinventar completamente, o que é tão a par com a minha essência que ainda faria sentido?
  • Se eu pudesse ter o armário dos sonhos, o que eu ainda gostaria de ter nele?
  • Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo pra comprar roupas, o que eu ainda acho que valeria a pena guardar?
  • O que eu ainda me vejo vestindo daqui a dois, cinco ou dez anos?

A pilha do sim...

O que sobrou foi isso aí. O principal critério mesmo era que tal peça fosse muito representativa do meu estilo, da minha essência, independentemente de ter necessidade dela no meu armário. Por exemplo, eu preciso de pelo menos umas cinco camisas brancas, mas só tenho uma que amo, então só separei essa. E preciso de pouquíssimos vestidos de festa/noite, talvez uns dois, mas amo todos os que tenho (considero uma coleção atemporal). Então guardei nove vestidos. E o resto foi pra pilha do não:

E a pilha do não.

Antes que alguém pense que eu sou algum exemplo de desapego, aviso: eu não me desfiz de todas essas roupas. Eu ia ter que andar pelada se me desfizesse disso tudo de repente. Em vez disso, separei as roupas que realmente não queria mais ou não me serviam e me desfiz destas. O resto (as outras quatro camisas brancas, por exemplo) eu guardei em uma parte separada do armário. A minha intenção é focar nas roupas que eu realmente gosto e só usar o resto se houver necessidade ou se me der muita vontade. Conforme eu consiga trazer peças novas que tenham mais a ver com o meu estilo, vou me desfazendo dessas antigas.

Fotografei todas as roupas que ficaram pra tentar fazer uma análise e entender o que isso diz sobre o meu estilo. Também coloquei um bloco na porta do armário pra anotar tudo que eu sinto falta (aquela coisa de “isso ficaria perfeito com peça tal que eu não tenho“). Acho que esse é um exercício pra fazer de tempos em tempos pro resto da vida, pra nunca perder de vista a nossa essência e também fazer compras mais inteligentes.

Resumindo, acho que precisa de muita frieza mesmo pra se desfazer de dois terços do seu armário assim, mas também é muito bom abrir espaço para o novo. Deixar esse respiro já está me fazendo ver com muito mais clareza o que eu realmente preciso e o que realmente gosto. Acho que daqui em diante vai ser bem mais fácil me sentir bem com o meu armário e continuar esse processo de reinvenção.

Citação

Como assim “estilo”?

Sei bem que “estilo” é uma palavra de definição quase impossível. É subjetiva e plural, tem uma interpretação íntima para cada pessoa. Por isso não tenho a pretensão de definir o que é estilo por aqui. Mas eu tenho a minha visão pessoal do que quero atingir e isso vai acabar desenhando esse processo de reinvenção.

Style is primarily a matter of instinct - Bill Blass

Pra mim, estilo é uma espécie de linguagem que usamos pra transmitir uma mensagem íntima sobre a nossa essência. Está em tudo o que você faz, do seu jeito de trabalhar e arrumar a casa à maneira como você vive a vida e, é claro, se veste. Pra mim, estilo próprio não tem tanto a ver com moda, marca e tendência, mas roupas são uma das diversas maneiras de passar essa mensagem. O meu foco aqui é encontrar a mensagem e transformá-la em uma linguagem simples, inteligente e eficaz, sem perder o charme. Mais ou menos como o português 😉

Style is a way to say who you are without having to speak - Rachel Zoe

Eu já trabalhei com moda mas não me apaixonei. Eu costuro, mas sou preguiçosa. Eu não tenho grana, mas sou criativa e engenhosa quando quero. Eu tenho um comportamento obsessivo de juntar imagens de referência, mas estou me tornando cada vez mais minimalista e separando o “legalzinho” do relevante. Eu tenho horror a consumo desenfreado e adoro a ideia de polinização cruzada. E é com essa mistura de características que pretendo fazer essa jornada pra me sentir mais dona do meu próprio estilo.